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domingo, 14 de dezembro de 2008

O rio e o oceano


Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira.

O rio não pode voltar.

Ninguém pode voltar.

Voltar é impossível na existência.

Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, Mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós, voltar é impossível na existência. Você pode ir em frente e se arriscar.

Coragem, torne-se oceano.

Autor desconhecido

Bambu chinês


"O Bambu Chinês - um incrível arbusto - depois de plantada sua semente, não se vê nada, absolutamente nada, por 4 anos - exceto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bulbo.
Durante 4 anos, todo o crescimento é subterrâneo, numa maciça e fibrosa estrutura de raiz,
que se estende vertical e horizontalmente pela terra.
Mas então, no 5º. ano, o bambu chinês cresce até atingir vinte e quatro metros."

Muitas coisas na vida (pessoal, profissional) são iguais ao bambu chinês.
Você trabalha, investe tempo e esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu
crescimento,e às vezes não se vê nada por semanas, meses ou anos.
Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando e nutrindo, o "quinto ano" chegará e o crescimento e a mudança que se processam o deixarão espantado.
O bambu chinês pode ser um grande exemplo de que não podemos desistir fácil das coisas.
Em seus trabalhos, principalmente projetos que envolvem mudança de comportamento,
de cultura, de sensibilização para novas ações, lembre-se do bambu chinês...
Não desista fácil frente as dificuldades que podem surgir.



Autor desconhecido



Postado por LUIZ CARLOS PEREIRA

Prece de Exu





Sou EXU, Senhor. Pai, permite que assim te chame, pois, na realidade, Tu o és, como és meu criador. Formaste-me da poeira ástrica, mas como tudo que provém de Ti, sou real e eterno.Permite Senhor, que eu possa servir-Te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos. Não reclamo, não me queixo porque esta é a Tua Vontade.Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pelas sendas tortuosas da provação.Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante. Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem contudo poder negar-me ou recorrer.Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado à exercer a descrença, a confusão e a ignomínia, pois esta é a condição que Tu me impuseste. Não reclamo, Senhor, mas fico triste por ver os teus filhos que criaste à Tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniqüidades que eles mesmos criam e, eu, por Tua lei inflexível, delas tenho que participar.No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto grande e feliz quando encontro nalgum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.Aceito , sem queixumes, Senhor, a lei que, na Tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me.Peço-Te, Oh, Pai infinito que lhes perdoe.Peço-Te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.Perdoa-os, e torna-os bons, porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do Teu amor e a graça do Teu perdão.


Fleruty (Exu Tiriri) (Esta prece foi psicografada por A . J. Castro, da Cabana de Lázaro)

A escola dos bichos





Essa serve para muitos umbandistas e pessoas em geral... Reflexão é sempre uma boa!


Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas. O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo. O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. E o Coelho queria de qualquer jeito
que a corrida fosse incluída. E assim foi feito, incluíram tudo, mas... cometeram um grande erro. Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos. O Coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele. Mas queriam ensiná-lo a voar. Colocaram-no numa árvore e disseram: "Voa,Coelho". Ele saltou lá de cima e "pluft"... coitadinho! Quebrou as pernas. O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também. O Pássaro voava como nenhum outro, mas o obrigaram a cavar buracos como uma topeira. Quebrou o bico e as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem mais cavar buracos.
SABE DE UMA COISA?
Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias. Não podemos exigir ou forçar para que as outras pessoas sejam parecidas conosco ou tenham nossas qualidades. Se assim agirmos, acabaremos fazendo com que elas sofram, e no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem e ainda pior, elas poderão não mais fazer o que faziam bem feito.
RESPEITAR AS DIFERENÇAS É AMAR AS PESSOAS COMO ELAS SÃO!


Autor desconhecido

VÓ BARTIRA

Há mais de vinte anos ouvi dizer que em nosso bairro morava uma mãe no santo que era feiticeira. Era a Vó Bartira, fui ao seu terreiro uma vez e ela, como pessoa, me impressionou, negra, pequenina, mas muito lúcida e altiva para seus mais de noventa anos. Não incorporava mais, sentava-se em uma cadeira branca ao lado do congá e dali dirigia todo o trabalho com mão de ferro. Exigia que todas as entidades a cumprimentassem e nada era feito sem por ela ser autorizado. Era quem definia as entidades que dariam os passes, quantos seriam atendidos, quem poderia falar em particular e assim por diante.
Tinha uma linha de trabalho que eu na época não poderia julgar, mas hoje me pego pensando de onde viria nunca mais vi alguém trabalhar daquela forma. No dia em que fui a esse terreiro achei estranho ser uma gira de direita e mesmo assim todas as luzes serem mantidas apagadas durante o tempo que durou. Apenas as velas do congá e dos pontos riscados pelo chão iluminavam o local.
Mais de vinte filhos espalhados pelo salão e pelo menos quinze deles incorporaram. Surpresa! Cada um com uma linha, no mesmo instante em que a Vó determinou que os atabaques soassem para a chamada, as incorporações começaram praticamente ao mesmo tempo. Havia baiano, boiadeiro, preto-velho, erê, cigano, Iemanjá, Oxum, exu e pomba-gira. Nunca tinha visto algo parecido em lugar algum e confesso que ainda hoje não tornei a ver.
Não estou aqui julgando e posso afirmar que ela era uma mãe conceituadíssima em nosso bairro respeitada por todos e benzedeira de todas as crianças da região. Eu na condição de pai no santo tenho absoluta certeza que não conseguiria trabalhar dessa forma, pois acho muito difícil reunir tantas entidades diferentes em um mesmo ambiente, haja vista todos terem suas particularidades de culto e postura.
Confesso que a Vó Bartira mexeu com minha cabeça e fui atrás de informações e foi incrível, todos os pais e mães no santo que eu procurava me diziam da maravilha de dirigente que ela era, mas que não queriam conversa a esse respeito.
Soube através de antigos médiuns dela que os testes que aplicava nos exus de sua casa eram dignos de filmes de terror. Fazia todos incorporarem em torno de uma grande panela com água fervente sobre uma fogueira, jogava um animal vivo dentro, podia ser um gato ou galinha. Os exus deveriam manter a tampa fechada com as próprias mãos até que acabasse o estertor do bicho. A panela então era aberta e todos comiam pelo menos um pedaço.
Como sou absolutamente contra os testes físicos em terreiros, isso até hoje me enoja, contudo vários médiuns que conheci e passaram por esse teste achavam absolutamente normal e um absurdo que não fosse feito em todas as casas. Infelizmente ela morreu pouco tempo depois de minha visita e não tive como conhece-la melhor, mas o olhar doce que ela me deu no dia em que nos encontramos até hoje está em minha memória. Qual seria o mistério de Vó Bartira?

Obs.: O nome da mãe foi alterado, mas quem morou em Itaquera nos anos 80 deve ter ouvido falar nela.

Postado por LUIZ CARLOS PEREIRA

Consciência umbandista

Se somos todos irmãos e professamos a mesma religião, não consigo entender as discordâncias coléricas que crescem a cada dia envolvendo preceitos, mistérios e mesmo fundamentos dos mais comuns.
Temos urgente necessidade de entender e respeitar a opinião que não se alinha com a nossa. Caso contrário acabaremos envolvidos em uma guerra inútil que nos levará ao fundo do poço. A imagem passada por tais discussões é a de que nossa religião é terra de ninguém, aonde quem chega manda.
Pior ainda é passar a idéia de que não temos a mínima idéia sobre nossos próprios rituais já que mostramos para quem está de fora que não conseguimos nos entender até mesmo em pequenas coisas. Seria tão mais fácil e coerente se todos se permitissem usar a consciência umbandista que existe e deve ser utilizada.
O que diz essa consciência? Respeite as enormes diversidades ritualísticas contidas na Umbanda! Respeite as crenças de nossos irmãos! Respeite a sabedoria e mais ainda a falta dela! Respeite para ser respeitado! Coloque sua forma de pensar e crer exatamente como são e permita que seu irmão faça o mesmo.
Em caso de divergência, ambos podem e devem mostrar seu lado da questão, mas, por favor, de forma educada e adulta. Se cada lado resolver ser o dono da verdade, nada se aprenderá e a tal imagem que nos denigre aparecerá.
Quando utilizamos a consciência umbandista, procedemos da maneira correta, muita coisa passa a ser entendida e aceita com mais naturalidade e eu não me espantaria ao ver irmãos praticando rituais que outro lhe disse e ele nunca havia sonhado em fazer, apenas por não ter entendido antes como devia (ou se podia) ser feito.
Esqueça a frase "não existe", dentro de nossa religião ela é que não pode existir, o processo evolutivo é grandioso e se processa com rapidez incrível. O que foi dito ontem que não existia, hoje já pode haver aos centos.
Usando paciência, educação e respeito, ensinamos e aprendemos com tranqüilidade, sem o malfadado ranço da necessidade de saber tudo que só demonstra falta de humildade. Assim é a Umbanda que conheço e pratico!

MILHO DE PIPOCA


A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém.Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.E você, o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?
Autor Rubens Alves